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Vae
então,
empacou
o
jumento
em
que
eu
vinha
montado;
fustiguei-o,
elle
deu
dous
corcovos,
depois
mais
tres,
emfim
mais
um,
que
me
sacudiu
fóra
da
sella,
e
com
tal
desastre,
que
o
pé
esquerdo
me
ficou
preso
no
estribo;
tento
agarrar-me
ao
ventre
do
animal,
mas
já
então,
espantado,
disparou
pela
estrada
fóra.
Digo
mal:
tentou
disparar,
e
effectivamente
deu
dous
saltos,
mas
um
almocreve,
que
alli
estava,
acudiu
atempo
de
lhe
pegar
na
redea
e
detel-o,
não
sem
esforço
nem
perigo.
Dominado
o
bruto,
desvencilhei-me
do
estribo
e
puz-me
de
pé.
-Olhe
do
que
vosmecê
escapou,
disse
o
almocreve.
E
era
verdade;
se
o
jumento
corre
por
alli
fóra,
contundia-me
devéras,
e
não
sei
se
a
morte
não
estaria
no
fim
do
desastre;
cabeça
partida,
uma
congestão,
qualquer
transtorno
cá
dentro;
e
lá
se
me
ia
a
bacharelice
em
flor.
O
almocreve
salvara-me
talvez
a
vida;
era
positivo;
eu
sentia-o
no
sangue
que
me
agitava
o
coração.
Bom
almocreve!
emquanto
eu
tornava
á
consciencia
de
mim
mesmo,
elle
cuidava
de
concertar
os
arreios
do
jumento,
com
muito
zelo
e
arte.
Resolvi
dar-lho
tres
moedas
de
ouro
das
cinco
que
trazia
commigo;
não
porque
tal
fosse
o
preço
da
minha
vida,-essa
era
inestimavel;
mas
por
que
era
uma
recompensa
digna
da
dedicação
com
que
elle
me
salvou.
Está
dito,
dou-lhe
as
tres
moedas.
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