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Tio
Cosme
vivia
com
minha
mãe,
desde
que
ella
enviuvou.
Já
então
era
viuvo,
como
prima
Justina;
era
a
casa
dos
tres
viuvos.
A
fortuna
troca
muita
vez
as
mãos
á
natureza.
Formado
para
as
serenas
funccões
do
capitalismo,
tio
Cosme
não
enriquecia
no
fòro:
ia
comendo.
Tinha
o
escriptorio
na
antiga
rua
das
Violas,
perto
do
jury,
que
era
no
extincto
Aljube.
Trabalhava
no
crime.
José
Dias
não
perdia
as
defesas
oraes
de
tio
Cosme.
Era
quem
lhe
vestia
e
despia
a
toga,
com
muitos
comprimentos
no
fim.
Em
casa,
referia
os
debates.
Tio
Cosme,
por
mais
modesto
que
quizesse
ser,
sorria
de
persuasão.
Era
gordo
e
pesado,
tinha
a
respiração
curta
e
os
olhos
dorminhocos.
Uma
das
minhas
recordações
mais
antigas
era
vel-o
montar
todas
as
manhãs
a
besta
que
minha
mãe
lhe
deu
e
que
o
levava
ao
escriptorio.
O
preto
que
a
tinha
ido
buscar
á
cocheira,
segurava
o
freio,
emquanto
elle
erguia
o
pé
e
pousava
no
estribo;
a
isto
seguia-se
um
minuto
de
descanço
ou
reflexão.
Depois,
dava
um
impulso,
o
primeiro,
o
corpo
ameaçava
subir,
mas
não
subia;
segundo
impulso,
egual
effeito.
Emfim,
após
alguns
instantes
largos,
tio
Cosme
enfeixava
todas
as
forças
physicas
e
moraes,
dava
o
ultimo
surto
da
terra,
e
desta
vez
caía
em
cima
do
selim.
Raramente
a
besta
deixava
de
mostrar
por
um
gesto
que
acabava
de
receber
o
mundo.
Tio
Cosme
accommodava
as
carnes,
e
a
besta
partia
a
trote.
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