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De
repente,
cessando
a
reflexão,
fitou
em
mim
os
olhos
de
ressaca,
e
perguntou-me
se
tinha
medo.
-Medo?
-Sim,
pergunto
se
você
tem
medo.
-Medo
de
que?
-Medo
de
apanhar,
de
ser
preso,
de
brigar,
do
andar,
de
trabalhar...
Não
entendi.
Se
ella
me
tem
dito
simplesmente:
"Vamos
embora!"
póde
ser
que
eu
obedecesse
ou
não;
em
todo
caso,
entenderia.
Mas
aquella
pergunta
assim,
vaga
e
solta,
não
pude
atinar
o
que
era.
-Mas...
não
entendo.
De
apanhar?
-Sim.
-Apanhar
de
quem?
Quem
é
que
me
dá
pancada?
Capitú
fez
um
gesto
de
impaciencia.
Os
olhos
de
ressaca
não
se
mexiam
e
pareciam
crescer.
Sem
saber
de
mim,
e,
não
querendo
interrogal-a
novamente,
entrei
a
cogitar
d'onde
me
viriam
pancadas,
e
porque,
e
tambem
porque
é
que
seria
preso,
e
quem
é
que
me
havia
de
prender.
Valha-me
Deus!
vi
de
imaginação
o
aljube,
uma
casa
escura
e
infecta.
Tambem
vi
a
presiganga,
o
quartel
dos
Barbonos
e
a
Casa
de
Correcção.
Todas
essas
bellas
instituições
sociaes
me
envolviam
no
seu
mysterio,
sem
que
os
olhos
de
ressaca
de
Capitú
deixassem
de
crescer
para
mim,
a
tal
ponto
que
as
fizeram
esquecer
de
todo.
O
erro
de
Capitú
foi
não
deixal-os
crescer
infinitamente,
antes
diminuir
até
ás
dimensões
normaes,
e
dar-lhes
o
movimento
do
costume.
Capitú
tornou
ao
que
era,
disse-me
que
estava
brincando,
não
precisava
affligir-me,
e,
com
um
gesto
cheio
de
graça,
bateu-me
na
casa
sorrindo,
e
disse:
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